27 janeiro, 2015

AUCHSWITZ-BIRKENAU: Eu lembro um filme, que ainda não sei se acaba bem...

A memória é selectiva, até mesmo a dos povos. Registo, apreensivo, que nunca como este ano foi tão elevado o número dos que recordam o holocausto. Temo que seja por medo. Medo que a história se repita. Eu comungo dos receios e, pelo sim pelo não, recordo cenas da libertação. Lembro um filme, que ainda hoje não sei se vai acabar bem...

Crianças, Auschwitz-Birkenau, Polónia, 27 de janeiro de 1945 (imagem da net)
Mais de 230 militares soviéticos morreram para libertar o campo de concentração...

26 janeiro, 2015

Nós e a Grécia: "a prática é o critério da verdade"


«O SYRIZA tinha as seguintes opções: Nova Democracia, PASOK, Aurora Dourada, KKE, To Potami, ANEL. Aurora Dourada excluída desde logo por razões óbvias, é um partido fascista que se encontra nos antípodas humanos do SYRIZA. Nova Democracia e PASOK querem a continuação da austeridade e o cumprimento do memorando com a Troika, também excluídos. O KKE defende uma ruptura completa com a União Europeia e com a Moeda Única, o SYRIZA não, dificilmente se forma um governo que não concorde em algo tão decisivo, ainda assim, o KKE já deixou claro que votará favoravelmente a todas as políticas sociais e laborais progressistas que o SYRIZA apresentar. O To Potami é constituído por um conjunto de hipsters-populistas que também não rejeitam a Troika e, tendencialmente, têm uma postura de classe, da sua, a burguesia.

Sobrava o ANEL e o SYRIZA escolheu o ANEL. É possível elaborar dezenas de teorias sobre o porquê e o para quê.(...)

As realidades gregas e portuguesas são mesmo tão diferentes que ninguém acredita que os partidos que por cá representam estes campos ideológicos, na conjuntura actual, pudessem sequer ponderar uma coligação de governo. Isso deixa-me descansado, porque os compromissos não devem comprometer as ideias, e este passo do SYRIZA é arriscado e difícil de aceitar. Veremos.

E por serem realidades diferentes é que não faz sentido uma tentativa de colagem a vitórias alheias. A estória não acaba aqui e o seu desfecho pode ser uma derrota, nessa altura será difícil e pouco legítima a descolagem.
Não são o ontem ou o hoje que importam nestas eleições, é mesmo o amanhã e o resultado do amanhã precisa de tempo para aparecer.

 A Grécia vai ter um novo governo, espera-se que com políticas diferentes. Às eleições de ontem concorreram partidos políticos e não clubes de futebol. Só com calma e distanciamento será possível fazer a melhor análise possível deste novo governo. Como dizia o outro, "a prática é o critério da verdade". Depois é aprender com os erros e com as virtudes.» 
André Albuquerque, in "O Anel do Syriza"
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Actualização

25 janeiro, 2015

Geração sentada, conversando na esplanada - 81 (Depois de Clístenes, foi Sólon a aderir ao KKE)

(ler conversa anterior)
«Poderemos designar este período como Os Anos Pavlov da Europa.
É um belíssimo nome.
Ou talvez melhor A DÉCADA PAVLOV da EUROPA.
A questão é esta: em vez de colocares um único cão a salivar sem alimento à sua frente, só por causa do toque da campainha… condicionamento clássico…colocas milhões com medo também só com o toque da campainha.
- Mas pode um continente comportar-se como um cão?
- Pode.»
Gonçalo M. Tavares, de um texto editado na imprensa grega

«Clístenes, um aristocrata da época, liderou várias reformas em Atenas, e ao invés de ficar ao lado dos tiranos, preferiu ficar ao lado do “povo” e se tornou soberano, precisamente no ano 507 a.C., sendo sensível com a pressão social que reivindicava participação nas decisões públicas e no poder. Não foi fácil Clístenes tomar o poder, a população teve que o tomar pela força...»
Luciano Baptista, in "A Democracia Ateniense Clássica"

Soalheira, a manhã trouxera à esplanada uma frequência rara. Do outro lado, as professoras mantinham uma conversa agitada, sem que conseguisse perceber o tema da desavença. "Estão assim há tempo", dizia-me o velho engenheiro desfiando o bolo que ia dando ao rafeiro, que pela gulodice abanava a cauda e passeava a língua pelo focinho inteiro. "Com que então voltou a editar o Gonçalo, pensava que o tinha arrumado!" disse  para me picar e iniciar a tertúlia. "Quem o arrumou foi o jornal, meu velho. Foi o jornal. Não sei se reparou, mas um redator batido ocupou-lhe o espaço. Veja..." e estendi-lhe o Noticias Magazine.
- Não posso crer... mas voltando ao que hoje escreveu, acho que nunca falou da Grécia!
- Até me assumi grego. Já fui Clístenes. Já fui Sólon... a eles se deve a Democracia. Hoje seriam militantes do KKE...
- KKE?
- É um partido. Se não o sabe localizar, deite-se lá a adivinhar: Clístenes, instituiu que o poder deve pertencer a um colectivo e que quem ameaça a Democracia deve ser condenado ao ostracismo, Sólon produziu lei que além de perdoar dívidas e as hipotecas que pesavam sobre os pequenos agricultores, aboliu a escravatura por motivos de dívida. Que tipo de partido defende hoje mais ou menos isso?
- Pois, entendi!, o Syriza tem a vitória assegurada? irá coligar-se com o Partido Comunista?, se for maioria absoluta, não precisa!
- Se o Syriza começa com essa aritmética... quem prescinde hoje de um Clístenes, de um Sólon?
- E ficam milhões com medo!
- Pode ser, vamos ver... a década de Pavlov na Europa está posta à prova.
- Basta uma pequena campainha, e a Europa ensaliva!
- Baba-se, não sei se de medo se de raiva!

24 janeiro, 2015

Violetta? Quem é?

A Maria, já vossa conhecida, passa imune e ao lado modas e pragas. A loucura da Violetta é o que se vê. Mas ela não liga. Com a personalidade própria de quem se julga (e é) senhora de todos os exércitos, não perde tempo nem dispersa o gosto com o formato nem o considera festivo. Prova-o na escolha do vestido. Foi uma escolha demorada, e depois as meias, das quentinhas, pois de manhã cai geada e a tarde vai esfriar. Os adereços são escolhidos a combinar...
(não sei se de manhã terá escolhido outra roupa)