29 maio, 2015

inCoerências


Ele topa-o. Adivinha-lhe o que lhe vai na alma.
O outro sente-se topado e adivinhado.
O inquérito prossegue e quando finda ele elogia os factos apurados, o rigor do detalhe, o escrito no relatório final. Mas vota contra. Por sinal, o único que vota contra, que aponta o que aponta e afirma que as conclusões são omissas quanto às responsabilidades políticas.
Dias mais tarde Carlos Costa é reconduzido no cargo. Nada consta o contrário no seu passado que contrarie esta nomeação política. Nada! Um único voto contra, não conta. Há pegas, discordâncias, mas que se esbatem e anulam na incoerência de quem, ao fim e ao cabo, também defende o sistema não votando contra. Triste cena. Que pena...

28 maio, 2015

Ampliar as Fontes de Financiamento da Segurança Social...


Desde os anos trinta, com o libelo de Chaplin contra a desumanidade do sistema capitalista, que as formas de exploração não têm parado de evoluir. E se é certo que o "taylorismo" está ultrapassado não é, contudo, menos desumana a sanha que se lhe seguiu da procura do sucesso e do lucro. Na verdade, não são as condições de trabalho, a racionalização das pausas e horários e a redução do esforço humano que tem determinado a evolução dos processos, designadamente os processos produtivos e, dentro destes, os processos industriais. O que tem determinado tal evolução, é tornar os processos menos dependentes do factor mão-de-obra. Reduzir a componente "custo do trabalho" no valor incorporado ao produto, tem sido a preocupação dos patrões da indústria e dos accionistas.  Preocupação que tem tido boas respostas no desenvolvimento de tecnologias da automação, da robótica, da  inteligência artificial, das "células por tecnologia", entre outras. A indústria automóvel foi, durante muito tempo, o exemplo disso e administrações mostram, orgulhosas, aos accionistas naves pejadas de dezenas de robots sem que se aviste vivalma. Nos Tempos Modernos de hoje podemos observar que nenhum sector escapa a essa lógica, nem sequer a indústria alimentar, para já não falar da "desmaterialização dos processos administrativos". O sonho das administrações, dos accionistas, é obter o objecto do lucro sem empregar pessoas. As máquinas não engravidam, nem se sindicalizam... nem pagam TSU nenhum.
Mas com a iniciativa hoje conhecida isso poderá mudar. Felizmente que alguma imprensa a explica.
Vai ser chumbada? Não me admiraria. Mas fica a semente...

27 maio, 2015

O poeta e a coerência de quem nunca escreveu um verso

«Não este não arrisco logo existo / de cócoras à espera de uma sopa. (...) / Pátria minha quem foi que te não quis?» - Manuel Alegre, in "Resgate"
«Não defendemos isto (saída do euro) como ato súbito. O que dizemos é que temos a obrigação de nos preparamos, como um processo, não como um ato súbito.» - Jerónimo de Sousa, entrevista TVI

Há homens, que nunca tendo escrito um verso, são mais poetas que alguns poetas que eu conheço. A tais poetas requeiro que a alma seja conforme com a palavra, com coerência e sem ressalva. Não há, neste comentário, nada de pessoal, demolidor. Não senhor. É um comentário de esperança de que o homem seja conforme o verso. 
Jerónimo? Esse é a coerência de sempre, que um precedente encoraja e a nossa luta anima!

26 maio, 2015

O que a imprensa não mostra não acontece!


Esta imagem, ou outra, vai aparecendo. Dia a dia nos é mostrada e a vamos vendo. O efeito é condoer, provocar o gesto condoído e estendido de dar o que a si lhe sobra, o que não lhe faz falta, ou o que você cede em nome da salvação da sua própria alma. O que não aparece é a razão de tudo isto, como se tudo isto acontecesse sem razão para acontecer, como se tudo isto fosse por ter de ser, resultado do não se sabe bem o quê...
Fica, nesse silenciamento da razão, um sentimento de culpa. Uma expiação de um pecado cometido. Um "ter vivido acima das possibilidades"...
Mas, em treze minutos tudo se explica. Tudo, até uma saída!