(imagem do dia na Nacional Geographic - 2014.01.05)

18 Abril, 2014

Sexta-Feira Santa: "Eli, Eli, lama azavtani?" (Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?)


Não me condeneis pelo que julgais serem heresias minhas, 
eu mantenho a fé nas pedras, que são (dizem) também obra Sua

A morte é sempre coisa pequena se comparada com vida tão grande...

« ...
A uma criança, daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens… Aprendi que todos querem viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a rampa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta, com sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do pai, tem-no prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
...»
Gabriel García Marquéz, in Carta de Despedida

17 Abril, 2014

D. Manuel Clemente escolheu, para esta Quinta-feira Santa, evocar a atitude de serviço e humildade que Jesus teve pouco tempo antes da sua morte. Os poderes instituídos e os actuais vendilhões do templo não lhe perdoariam se tivesse escolhido evocar o que levou Jesus à cruz... mas os humilhados e ofendidos talvez lhe esperassem isso

REMBRANDT - "A expulsão dos vendilhões do Templo"
«Ora, estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém; e encontrou no templo muitos vendendo bois, ovelhas, pombas, e os cambistas sentados (às suas mesas). E, tendo feito um como que azorrague de cordas, expulsou-os a todos do templo, e as ovelhas e os bois, e deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas. E aos que vendiam pombas, disse: Tirai daqui isto, e não façais da casa de meu Pai, casa de negócios. Então lembraram-se seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa devorou-me. Tomaram então a palavra os judeus, e disseram-lhe: Com que sinal nos mostras tu que tens autoridade para fazer estas coisas? Jesus respondeu-lhes, e disse: Desfazei este templo, e eu o reedificarei em três dias.» (Envangelho, segundo São João 2, 13-22)


Joana Manuel, em Oeiras: “Portugal vai pagar este ano quase metade do que recebeu em seis anos de fundos comunitários”


Os Fundos Comunitários são custos calculados (em Bruxelas) que integram a estratégia de empobrecimento, num dar com uma mão para tirar com a outra: “Portugal vai pagar este ano, quase metade do que recebeu em seis anos”. De facto, terminada a sessão, fomos conferir as contas e precisar os números: Portugal recebeu 18 mil milhões de fundos (de 2007 a 2012) mas no ano em curso terá que amortizar, só de juros da dívida pública, mais de 7 mil milhões de euros. É um saque planeado à custa de um endividamento que foi sendo construído desde há muito tempo. Joana foi ilustrando o caminho, com uma expressão viva, directa e pejada de ironia, foi falando do governo de Cavaco, e de como as políticas seguidas conduziram à destruição da economia sobre o estandarte da “Europa connosco”: 
“A economia, é uma ciência humana, distinta da biologia, da física. É uma ciência humana e não depende de mais nada, que não seja da política seguida. E as que foram seguidas desde a criação (1951) da Comunidade Europeia de Ferro e do Aço até à União Europeia, passando pela CEE, são as do domínio dos mais ricos e poderosos. Mas há alternativas”. 
E falou delas, a uma plateia atenta!
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PS: Houve uma coisa que eu (um velho, batido e curtido) aprendi ontem com a Joana (uma jovem). Foi a pedagogia da mensagem que melhor contraria estes afilhados de Goebbels: 1º que se fale do facto 2º que se fale da consequência do facto e só no fim, o 3º passo, que se aponte o dedo aos responsáveis. Aprendi que quase sempre o 3º passo é dispensável, pois quem ouve os dois primeiros o conclui sem dificuldade. Aprendi, ainda, que se começamos pelo fim, ninguém nos ouve! Ontem foi uma excelente lição, dada com a humildade de quem não quer dar lições a quem anda há tanto na luta!